Dissolução e Precipitação, 2007 #3 por Marina Marchetti - PandoraPix

Sobre esta foto

Dissolução e Precipitação é uma série de fotografias enigmáticas. Ela é parte de uma pesquisa de dois anos, emergindo de visitas a cavernas entre Diamantina e Capadocia e jornadas nos salares do deserto do Atacama. Mostra espeleotemas, feições subterrâneas, petromorfos, salares tais como são. Na forma de objeto artístico, porém, toda a rigidez da matéria faz-se parecer abstração permitindo o observador enxergar apenas o que a sua essência tem a mostrar. São variações que dependem de um processo onde em primeira instância ocorre a dissolução da imagem (soluto) na mente (solvente). Em seguida, a fase de precipitação: a solidificação de um significado. Marina Marchetti Fotos de fronteira Essas fotos são fotos de fronteira. Mas não entre dois lugares. São fotos da fronteira entre a figuração do objeto e a abstração da pura imagem. São fotos em que se dramatiza o lugar óbvio da fotografia como retrato do que lhe é exterior e como construção própria do que nela se apresenta. Elas colocam o sentimento estético entre o olhar da retina e o olhar da imaginação como faculdade espiritual. E isso cola e descola ao mesmo tempo, intrigando. Por isso, não devemos ceder à tentação de tratá-las como meras charadas, nas quais nos cabe desvendar qual figura é formada por formas que não figuram nada. Essas fotos nos perguntam, a todo tempo, o que estamos vendo nelas. E seu lugar é o desta pergunta. Todos nós, quando crianças, já enxergamos, nas nuvens do céu, figuras que conhecemos na terra, por mais que saibamos que as nuvens não têm nada em comum com elas a não ser figurarem para nossa percepção, que busca analogias. Este impulso lúdico comparece nessas fotos, mas apenas porque elas nos situam na fronteira entre a forma e o informe, porque procuramos figuras que quase se fixam, mas só quase. Resta sempre a resistência da imagem, que não é senão a resistência do desconhecido ao conhecimento, que o atrai e o repele. Não passamos para este ou aquele lado da fronteira. Basta ficarmos nela. Será que aguentamos? Pedro Duarte de Andrade

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